sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Zilliana

 Sua voz calou
Seus lábios me beijaram.
Mas os olhos nunca calaram
Sempre algo à dizer...

Quisera de sua menina
Ser dos olhos
Quimera sentir
Prazer pela presença de algo
A ser dito.

E dizia!
No silêncio do quarto escuro,
Entre o ranger da cama
E os raios de Sol

Pela fresta da janela.

No dia,
Pela noite proibida.
Me vejo amante. Espécie a qual
É negada a noite.

Oferecido apenas espaços entre o almoço às segundas.

Dizia nada explicava do amor
Ensinava a sordidez
Contava com detalhes do apogeu
Que tantas vezes visitou.

E tenta e tantas e tantas...
por Sarah Ayume

sexta-feira, 11 de março de 2011

O moço das tralhas


 Seis da noite na cinzenta São Paulo, transito lento, buzinas exacerbadas. Ir para casa andando ? não sou tão sortuda a ponto de trabalhar pertinho de minha casa, dariam umas três horas e trá lá lá.., o tal do "vá de bike" ?! nããããããããooooooooooo ... esporte muito perigoso esse, depois do acorrido em Porto Alegre ainda preferiria aquela caminhada. Estou entrando no ônibus, logo de cara as pessoas que estão sentadas estão dormindo, culpa de uma jornada injusta de tantas horas diárias de trabalho,apenas resta tempo para dormir no ônibus, claro! Pessoas em pé com cara de mau humor, aquele tal de estresse que tanto tento evitar. O que é aquilo no fundo do ônibus ? um lugar vazio em pleno horário de pico ? ... Me aproximei e logo entendi, ninguém queria se sentar ao lado do morador de rua com suas tralhas, fui me achegando e ajeitando-me naquele cantinho que me aguardava, ele sem jeito puxou as tralhas dele para que não me incomodassem, parei-o com um gesto e dei-lhe um sorriso tímido, numa expressão de espanto, ele retruca um um sorriso largo e inexplicavelmente amável. O moço das tralhas colocou em minha face o sorriso que os cidadãos de social haviam tirado.